O que é arquitetura

O que é arquitetura

Mariane Garcia Unanue e Victor Caixeiro

“A Arquitetura (do grego arché - αρχή = primeiro ou principal e tékton - τέχνη = construção) é a arte ou técnica de projetar e edificar o ambiente habitado pelo ser humano. (...)Uma definição mais precisa da área envolve todo o design do ambiente construído pelo homem, o que engloba desde o desenho de mobiliário (desenho industrial) até o desenho da paisagem (paisagismo) e da cidade (urbanismo), passando pelo desenho dos edifícios e construções (considerada a atividade mais comum dos arquitetos). O trabalho do arquiteto envolve, portanto, toda a escala da vida do homem, desde a manual até a urbana”¹.

Falar em Arquitetura é falar fundamentalmente em espaço. A maioria das pessoas acredita que arquitetura é apenas o edifício, a construção em si, mas a arquitetura vai além, pois envolve os espaços criados pela construção, os espaços interiores, os exteriores e os subjetivos. Espaço é o principal meio de expressão e de trabalho da arquitetura.

Considerado um dos mais importantes teóricos da arquitetura, Bruno Zevi estruturou sua crítica sobre o que chamou “a ignorância da arquitetura”, ou seja, o desinteresse do grande público pelo assunto devido, em grande parte, ao desconhecimento da história e à inexistência de uma cultura arquitetônica, a falta mesmo de uma educação espacial. Segundo ele, para se compreender a essência da arquitetura – o Espaço - é imprescindível ‘saber ver a arquitetura’, não só nos edifícios, mas também na própria cidade.

Diferentemente da experiência que temos com livros, músicas, cinema ou teatro, que podemos fechar, abandonar ou não comparecer, não se pode deixar de ver arquitetura, não se pode fechar os olhos à cidade.

Com o intuito de explicitar um pouco mais o que definimos como Arquitetura, apresentamos a seguir extratos desta obra de Bruno Zevi e também de um texto de Lúcio Costa, expoente da arquitetura brasileira, responsável, entre tantos projetos, pela criação de Brasília.

Saber ver a arquitetura²

A definição mais precisa que se pode dar atualmente da arquitetura é a que leva em conta o espaço interior. A bela arquitetura será a arquitetura que tem um espaço interior que nos atrai, nos eleva, nos subjuga espiritualmente; a arquitetura feia será aquela que tem um espaço interior que nos aborrece e nos repele.

(...) A experiência espacial própria da arquitetura prolonga-se na cidade, nas ruas e nas praças, nos becos e parques, nos estádios e jardins, onde quer que a obra do homem haja limitado ‘vazios’, isto é, tenha criado espaços fechados.

(...) Dizer que o espaço interior é a essência da arquitetura não significa efetivamente afirmar que o valor de uma obra arquitetônica se esgota no valor espacial. Cada edifício caracteriza-se por uma pluralidade de valores: econômicos, sociais, técnicos, funcionais, artísticos, espaciais e decorativos, (...). Mas a realidade do edifício é conseqüência de todos esses fatores, e uma história válida não pode esquecer nenhum deles. Mesmo prescindindo dos fatores econômicos, sociais e técnicos, e fixando a atenção nos valores artísticos, é claro que o espaço em si, apesar de ser o substantivo da arquitetura, não é suficiente para defini-la.

(...) Se pensarmos um pouco a respeito, o fato de o espaço, o vazio, ser o protagonista da arquitetura é, no fundo natural, porque a arquitetura não é apenas arte nem só imagem da vida histórica ou de vida vivida por nós e pelos outros; é também, e sobretudo, o ambiente, a cena onde vivemos a nossa vida.

Considerações sobre arquitetura³

Arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites - máximo e mínimo - determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada.

(...) A intenção plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção.
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1 Para saber mais, ver http://pt.wikipedia.org/wiki/arquitetur
2 ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p.24-28.
3 COSTA, Lúcio. Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio Costa, Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995, p. 608.

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